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O futuro do Vestibular
Publicado em 20/08/08 às 16:47
Artigo assinado pelo diretor-geral da Faculdade, Janguiê Diniz, publicado na edição de 20/08/08 do jornal O Norte e Diário da Borborema. Foto da notícia: Vinhos, bombons e saúde na Semana Gastronômica

O vestibular, bicho-papão de muitos estudantes brasileiros, está perdendo, aos poucos, seu potencial assustador. Grandes universidades do país estão repensando seus métodos de seleção e já falam em implantar outras modalidades de processo seletivo. Em várias partes do Brasil, já se realiza o Vestibular Seriado, sistema de avaliação em três etapas proposto como alternativa ao vestibular único.

No processo seriado, o candidato faz uma prova ao final de cada ano do ensino médio, exigindo, assim, mais responsabilidade do mesmo. A cada etapa de prova, o candidato recebe um resultado e tem como dosar sua preparação para a prova seguinte. Apenas no terceiro ano, o estudante escolhe que curso quer fazer.

O vestibular seriado é regulamentado e reconhecido oficialmente pelo Conselho Nacional de Educação. O processo evita o estresse que antecede o vestibular tradicional, já que a avaliação dura três anos. Se o aluno se sair mal em uma das provas, terá um ano para melhorar seu desempenho. O vestibular seriado já é realizado em pelo menos sete estados brasileiros e o Distrito Federal. Grande parte dos reitores acredita que o intervalo de um ano entre as três avaliações dá melhores condições de preparação aos estudantes, além de chances de recuperação em caso de mau desempenho em determinada série.

Entre as universidades mais importantes que adotaram o sistema está a Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal de Uberlândia (PAIES) e a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). As cotas variam entre 20% e 50% do total de vagas disponíveis. O seriado também será adotado pela USP no ano que vem. Os tipos de prova variam de universidade para universidade. Mas, será que essa nova modalidade pode mesmo facilitar o acesso às faculdades?

Uma das grandes vantagens do vestibular seriado é a integração com o ensino médio, já que o conteúdo das provas não é cumulativo. Ou seja, as questões da primeira avaliação são relativas a assuntos do primeiro ano do ensino médio, a segunda aborda temas do segundo ano, e a terceira traz apenas o conteúdo adquirido ao longo deste último período, além de uma redação. A média final, usada como argumento de classificação, é o resultado destas três notas.

Estudantes que já concluíram o Ensino Médio ou os que fizeram o supletivo também podem realizar o vestibular seriado, bastando para isso entrar em contato com a instituição do seu interesse. Outra vantagem é que a modalidade pode ser uma estratégia para que a educação pública de ensino médio possa melhor contribuir para a inserção social de seus alunos, cuidando, assim, para que estejam melhor instrumentalizados a disputar uma vaga no mundo do trabalho e produzir a sua subsistência. Isso pode acontecer, seja prolongando os estudos em nível superior, seja ingressando diretamente no mercado de trabalho, já que a maioria, por barreiras sociais, não pode, entre outros benefícios, dispor daqueles fornecidos pela indústria do pré-vestibular e consolidar a opção por uma carreira profissional por meio de um curso universitário. Mas o sistema traz algumas desvantagens ao estudante sim! A principal delas é a questão das cotas.

Praticamente todas as universidades têm no mínimo três cotas. Isso acaba gerando um descontentamento nos candidatos que não se enquadram em nenhuma destas categorias, restando para eles uma pequena porcentagem de vagas, ou seja, chances de entrar no curso escolhido ficam menores. O método é novo e ainda é cedo para avaliar o seu impacto a longo prazo nas instituições de Ensino Superior. Grande parte das universidades que adotam o sistema reserva vagas do vestibular seriado apenas para alguns cursos, mantendo o vestibular tradicional para os demais.

Comentários (7 comentários efetuados)
Geane- 26 - 00/00/00
É lamentável ver a que ponto chegamos, o sistema de cotas comprova a imcompetência do governo diante do ensino público.
Marcelo Gonzaga Silva - 21/08/08
Tudo isso é como a crítica de Hegel e a ética de Kant,sempre objeto de expectativa apaixonante e a gente resta no aguardo das decisões. Bom para todos,esperamos.
Ana Lucia dos santos - 23/08/08
Será muito bom que esta transformação seja aceita pelas universidades; certamente ajudará no ingresso dos alunos as mesmas.
Amanda Nascimento - 24/08/08
Esse sistema de cotas é para tirar do foco a má administração da educação pública a nível médio e fundamental, onde era para começar o investimento. A base é a ferramenta mais importante na educação.
Thiago Maia - 26/08/08
1. Sinceramente muda apenas com relacao ao stress, mas nao existe melhoria ao ensino publico de ingressao. Se a base do ensino publico continua ruim, por que essa nova modalidade melhoraria nesse caso? 2. O sistema de cotas atual é piada.
Ilza Dantas da Silva Menezes - 03/09/08
Acho positivo esta transformação junto a educação pública e privada, para obter um maior rendimento junto aos alunos.
nelma - 05/09/08
O Sistema de cotas remedia uma situação cultural que grita desde o período de escravidão. O sistema de cotas não pode ser criticado em sua íntegra, é uma satisfação social por assim dizer.

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