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Aconselhamento de Carreira
Publicado em 06/04/09 às 14:00
É possível ascender profissionalmente em empresas pequenas? Foto da notícia: Vinhos, bombons e saúde na Semana Gastronômica

Alguns profissionais acreditam que crescer profissionalmente é ter uma empresa de renome citada no currículo, independente do cargo que ocupe na mesma. Mas, na verdade, nem sempre empresas grandes, com centenas de milhares de funcionários, e filiais (ou matrizes) no exterior, são sinônimo de possibilidade de ascensão na carreira. Muitas vezes, por serem grandes demais, e com funcionários demais, mal a diretoria consegue conhecer - e quanto mais perceber - o trabalho de um funcionário que está há anos e anos tentando mostrar seu valor.

É nesses casos, por exemplo, que trabalhar em uma empresa pequena pode ser vantajoso. Afinal, além de cada funcionário não ser apenas mais um número de registro no RH ou departamento pessoal – e ser conhecido, nem que seja por andar no corredor, pelo diretor da empresa – as chances de ficar à frente de projetos novos e ousados, e aprender com eles, é grande. E o melhor: depende apenas do esforço próprio para mostrar resultados.Muitas pessoas têm uma carreira de sucesso porque começaram desta forma: em empresas com pouco mais de dez colaboradores, com excesso de função e muita, mas muita, vontade de vencer. É o caso da atual diretora e gestora de talentos da Deep Pessoas (consultoria de desenvolvimento de pessoas), Juliana Almeida Dutra.

“Meu primeiro emprego era em uma unidade pequena, de um setor pequeno, de uma empresa grande. Lá, estavam começando o trabalho de qualidade e minha chefe não tinha nenhum projeto para isso. Como eu era assistente dela, me propus a desenvolver um, e ela deixou. Estudei bastante, elaborei o projeto, apresentei e, para minha surpresa, ele ficou entre os escolhidos para serem apresentados em São Paulo. Além de ser implantado na empresa, ainda economizou uma quantia grande na organização. Nessa época já era formada em comunicação e acreditava que podia fazer mais. Então, além do meu trabalho normal, aproveitava meus horários de folga para fazer contatos e elaborar releases para a imprensa. Ninguém pedia nada, eu é que achava que isso era importante. Comecei a ser chamada para dar palestras, estreitei contatos com os veículos de comunicação e aí foi criado o setor de comunicação na empresa e fui chamada para trabalhar nele. Desse momento em diante não parei mais de crescer”, afirma, entusiasmada.

Juliana acredita que chegou onde está, porque aprendeu muito com essas experiências. Para ela, empresas menores possibilitam ao profissional imprimir a assinatura dele nos projetos e trabalhos apresentados, além de fazê-lo aprender a desenvolver-se por si só.

“Numa empresa pequena você consegue sentar com o diretor, sugerir coisas novas, consegue ser visto com mais facilidade porque tem mais acesso. A vantagem é conseguir agir da maneira que acredita. É menos burocrático e crescer vai depender mais do profissional. Empresas pequenas são excelentes oportunidades de trabalho, muitas delas pagam até mais e outro detalhe: os degraus para chegar ao topo são menos numerosos”, destaca. 

A descoberta de que empresas pequenas podem ser interessantes para a vida profissional, parece unânime entre analistas, gerentes e profissionais de RH. Clarice Leal de Souza, Gerente de RH da Sata Brasil – multinacional italiana no segmento automotivo – acredita que as oportunidades de aprendizado são maiores, e muitas vezes, possibilitam chegar numa grande empresa em cargos mais altos. “Iniciei minha carreira em uma empresa pequena e tenho certeza que foi a melhor coisa que me aconteceu. Hoje atuo em RH, mas lá tive a chance de aprender um pouco sobre cada departamento, passando por produção, fiscal, contábil, financeiro etc. Foi nesse início que desenvolvi a visão sistêmica que hoje é competência fundamental a qualquer profissional”, credita.

Grau de profissionalismo

Alguns leitores podem achar as histórias interessantes, mas questionar o grau de profissionalismo de empresas pequenas, que geralmente começam familiares e vão crescendo de acordo com o sucesso no mercado. Realmente, há aquelas que não perdem a tradição e o conservadorismo – que se torna perigoso para manter espaço no mercado visto a rapidez das mudanças e a necessidade de reciclar conceitos em todo momento -, mas há outras, com visão moderna e líderes jovens e ‘antenados’, que não só crescem vertiginosamente, quanto valorizam aqueles que acompanharam essa história.

“As empresas pequenas estão se profissionalizando cada vez mais. Hoje temos exemplos maravilhosos como a Zanzini [loja de móveis com quarenta anos no mercado e certificados de qualidade] que começou pequena e familiar e hoje está entre as melhores para se trabalhar na América Latina. Ainda assim, conserva todas as características de uma empresa pequena”, exemplifica Clarice.

A Analista de RH do Grupo Soma, Jane Aparecida de Souza, divide a mesma opinião: “Hoje existe melhoria neste sentido, com as pequenas empresas se orientando em todos os níveis, via Sebrae e outras instituições. Quando uma empresa nasce, ela já começa a olhar para o futuro, traçando objetivos e percebendo que, para a sobrevivência, a profissionalização é fundamental”.

Se existe o momento mais apropriado e indicado para trabalhar em uma grande ou pequena empresa? Não há regras. No entanto, as especialistas destacam que o limite deve ser detectado pela autocrítica do profissional.

“Quando ele se sentir firme e perceber que já alcançou os objetivos, é hora de uma avaliação para os próximos passos, seja dentro ou fora da empresa. Porém, deve ficar atento para um possível crescimento dentro da mesma, pois nesta avaliação, pode perceber que os objetivos traçados podem ajudar a empresa a crescer e ele passar para outro patamar, simultaneamente”, afirma Jane.

“Se a empresa for familiar, talvez o profissional nunca chegue a diretor, mas isso não é regra e nem impossível. Mas conheço pessoas que trabalham em empresas pequenas e que, para diretor, só falta o título. Elas são plenamente realizadas profissionalmente”, acrescenta Clarice.

Fonte: Jornal Carreira & Sucesso.

 

 

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