Notícia destaque: " A faculdade me abriu inúmeras portas "
Recife
02/07/09 às 16:17
Manchete:Dando continuidade à série de entrevistas sobre a importância do diploma para o exercício do jornalismo, confira o bate-papo com a repórter Bianka Carvalho, da Rede Globo Nordeste.
“A faculdade me abriu inúmeras portas”. A frase da jornalista Bianka Carvalho, formada deste 1994, resume seu posicionamento sobre a importância do diploma para o exercício da profissão. O bate-papo com a repórter da Rede Globo Nordeste dá continuidade à série de entrevistas sobre o assunto, realizada pela equipe de conteúdo do Portal do Grupo Universitário Maurício de Nassau. Pós-graduada em Direito Humanos, há 15 anos trabalhando em TV, e com um currículo que inclui ainda atuação em assessoria de imprensa, rádio e jornal, Bianka considera que o público é o principal prejudicado com a decisão do Supremo Tribunal Federal de desregulamentar a profissão.
Imprensa Nassau – Sobre a suspensão do Supremo Tribunal Federal (STF), com relação à não obrigatoriedade do diploma para exercício da profissão de jornalista, qual a sua opinião?
Bianka Carvalho - Fiquei decepcionada com o que aconteceu no Supremo Tribunal Federal. Acho que acabar com a exigência do diploma é nivelar todo mundo por baixo. Se a grade curricular dos cursos não é boa, ora, façamos, pois, as reformas necessárias. O argumento dos ministros é falho demais. Sugerir que não é preciso fazer curso para ser jornalista abre um precedente perigoso. Alguém eloquente e com capacidade argumentativa pode, então, ler os códigos, as leis etc. e ser advogado? Uma pessoa habilidosa com as palavras, com tato para lidar com pessoas e jeito para ensinar não precisa sistematizar conhecimentos numa universidade? Como é isso? Que critérios foram observados para decidir o que é ou não fundamental? A decisão é péssima. Ruim para os oitenta mil jornalistas brasileiros, ruim para milhares de estudantes de Jornalismo, pior ainda para o nosso público. Sim, é claro que as redações têm colaboradores, especialistas em outras áreas que emprestam uma contribuição de destaque ao nosso trabalho. Eles poderiam muito bem continuar fazendo isso, sem que a exigência do diploma fosse extinta. Não dá pra entender.
Nassau – O que mudou em sua carreira profissional, com a obtenção do diploma como jornalista?
Bianka - Nunca passou pela minha cabeça exercer a profissão sem fazer universidade. Vinha estagiando desde o início do curso e, assim que me formei, dei entrada na documentação para pegar diploma, registro, tudo a que tinha direito. Ter me formado foi fundamental na hora de criar um vínculo “estável” de trabalho. Para minha geração, estudar Jornalismo era condição essencial pra ser jornalista. E a faculdade me abriu inúmeras portas. Foi lá que fiquei sabendo dos estágios, dos testes, dos cursos, congressos, seminários. Sim, o curso tinha problemas, mas isso não exclui a importância de se ter um diploma.
Nassau – Na sua opinião, haverá mudança no comportamento do mercado? Você acredita que as empresas continuarão a exigir o diploma no momento da contratação?
Bianka - É evidente que a decisão fragiliza a categoria e abre brecha pra muitos equívocos. Mas não me sinto à vontade para falar sobre o que as empresas vão fazer. O que eu espero é que elas continuem a buscar profissionais de Jornalismo nas escolas de comunicação.
Nassau – Para você, essa decisão trará mudanças para a vida acadêmica e profissional de estudantes e recém-formados em jornalismo?
Bianka - A mudança curricular que já vinha sendo discutida, certamente, vai ser aprofundada. Sem dúvida, é preciso mudar. Não porque os ministros do STF acham, mas porque há uma reivindicação antiga sobre isso, queixas históricas em relação ao curso. Quem está na universidade deve se dedicar bastante. Posso até ser muito romântica, mas prefiro continuar acreditando que haverá mercado para os bons.
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